terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Dona Fulustreca



Dona Fulustreca






Dona Fulustreca era uma pessoa de confiança na família de Aluizo e Merença. Conhecida de muitos anos, já passara e engomara. Trocava as fraldas de Tio Mauricinho, enquanto ele era pequeno. Depois das fraldas chegaram as cuecas de Tio Mauricinho. Uma velha conhecida da família que já trabalhara como passadeira de roupas na casa de Aluizo e Merença. Deixou de trocar as fraldas do tio Mauricinho chegando ao tempo de passar e engomar as camisas sociais do tio Mauricinho. Passagens de um tempo distante, bem antes da Tia Caloteirinha assumir a posição de passadeira oficial da família. 

Tempos tão antigos fizeram parte daquela família e de dona Fulustreca, chegando a uma época que também rolou uma paixão entre dona Fulustreca e o Tio Mendiguinho. Algo ligando em cima e esquentando em baixo. Por pouco dona Fulustreca não aceitou e acreditou nas palavras de Tio Mendiguinho, que dizia: “panela velha é que faz comida boa”. Viu dona Fulustreca passando roupa e quis passar o ferro na velha. 

Tio Mendiguinho já fora empresário bem sucedido. Tio Mendinguinho já fora gerente de um trailer. O “Trailer Classe C”, nos tempos do dinheiro chamado de cruzeiro. Um trailer que vendia cachaça, conhaque, cinzano e caipirinha; cigarros, cervejas e caldinhos. Localizado em um canto, perto do cemitério da Cacuia. Mas o empreendimento foi para as cucuia. Tio Mendiguinho ganhou o diploma de “Freguês Classe C”. Um diploma idealizado, promovido, patrocinado e confeccionado por ele mesmo. Ele comeu e bebeu, criou o premio e ganhou.

A confiança depositada na Fulustreca era tanta que a Tia Professorinha contratava dona Fulustreca para ser dama de companhia de Lady K. Dona Fulustreca era alem de passadeira, e dama de companhia, era uma eximia cozinheira. Quando a Tia Professorinha deixava algo para o almoço, antes de sair para trabalhar. Um almoço já meio pronto, meio encaminhado para dona Fulustreca e Lady K. Como por exemplo, bifes já cortados e temperados, faltando apenas fritar. Dona Fulustreca transformava os bifes em apetitosos picadinhos, picando os bifes já prontos e temperados, acrescentando água e colocando para cozinhar. Ao terminar o preparo reinava uma duvida claro, em saber se era uma sopa ou um caldinho. Terminada a refeição Fulustreca acomodava-se no sofá da sala para encontrar uma melhor posição, deitar, dormir e cochilar. Era comer, olhar para a TV, cair, e dormitar, chegando a roncar. 

Hoje Lady K, já não tem mais a dama de companhia e não namora mais o Viniçu. Esta noiva de Chon, um chinês nascido nos EUA, que agora mora no Brasil, e é dono de uma loja que vende roupas e acessórios fabricados na China. Vende roupas no planalto central durante a semana, no estilo sacoleiro. E no Rio de Janeiro, trabalha na loja, nos finais de semana, o dia inteiro.

Por muito tempo depois de terminar os tempos de jornadas, em passagens e passadeiras, dona Fulustreca frequentou e frequentava a casa de Aluizo e Merença. Sempre discreta, chegava sem avisar. Dona Fulustreca não era uma pessoa chegada a luxos, bastava lhe dar um pirão dágua com farinha, para ela dizer que a comida estava uma “diliça”. Depois de fartar o bucho e encher a pança, dispensava um café e uma sobremesa, lhe bastava um lugar para sentar e cochilar. E aguardar a hora do café chegar.

O café da tarde com a pontualidade das quatro horas era uma das únicas coisas que prestavam na casa de Merença e Aluizo. Com um pão quentinho de uma padaria próxima, vinha sempre a calhar, sem encalhar.

AVISO/NOTICE/AVISO
* Esta é uma história de ficção. Qualquer semelhança com casos ou pessoas terá sido mera coincidência
 * This is a fictional story. Any resemblance to actual cases or persons is entirely coincidental
 * Esta es una historia de ficción. Cualquier parecido con casos reales o personas es mera coincidência.

RN, 13/01/15


sábado, 10 de janeiro de 2015

Mais algumas buzinadas



Mais algumas buzinadas

─ Alôooo.... dona Terezinha, olha aqui a sua vizinha.
─ Alôooo.... Você conhece a Tia Peteka? Aquela que brincava com a Tia Professorinha, de boneca.
─ Boa noite dona Merença. Veio cantar alguma sofrência?
─ “Euvim canta a Índia do Tiririca”.
─ Uma salva de palmas para dona Merença.
─ CLAP, Clap, clap, clap clap, ap,.. ap......
─ Índia teus cabelos, teus cabelo. Índia teus cabelos teus cabelos. Indiaaa...... os teus cabelos......
─ FOM! Fom! Fom! fom!




─ Dona Merença, a senhora usa xampu de laranja?
─ Não!
─ Dona Merença, a senhora tomou chá de folhas de laranjeira?
─ Não!
─ Dona Merença a senhora chupou limão?
─ Não! “E pruquê essas preguntas?”
─ A sua voz e os seus cabelos estão um bagaço. Uma bagaceira geral.
─ Uma salva de palmas para dona Merença.
─ Uhhhhhhhh...

E Merença voltou para casa, com Aluizo em seu Gordini. Voltaram por uma estrada com muitas pedrinhas. Cataram pedrinhas por uma estrada, e encontraram algumas flores pelo caminho, como rosas, dálias e crisântemos. Pararam em algumas casas e Merença foi bem recebida.

─ Olá dona Merença, a que devemos a sua presença. 

Merença irritou-se com a saudação, interpretando ser uma gozação em referencia ao local das buzinadas. Não entrou e continuou seu caminho. Aluizo buzinou o Gordini e partiram. Merença se recusou a entrar na casa e tomar um café, ou comer um pedaço de bolo. Há muito tempo os parentes e os vizinhos, já lhes serviam em copos, talheres, e pratos descartáveis. Diziam que era para não sujar as louças, mas Merença e Aluizo sabiam que havia outro motivo oculto. E este ato vinha irritando os dois. Mais um motivo para não entrar nas casas para lanchar. De nada adiantava entrar e comer, e depois sair com um pedaço de bolo embrulhado em um guardanapo. Estavam de carro, e outras coisas poderiam levar. 

Merença preferia voltar para casa, para olhar e escutar sua coleção de CDs. Uma coleção conquistada com sacrifício e discrição. Em sua casa ela podia fazer faxinas e cantar, sem alguém para buzinar. Ainda assim os vizinhos para disfarçar passavam de carro em frente à sua casa, acenavam e buzinavam. Mal sabendo eles dentro da casa que os objetivos das buzinadas eram outros.

Tia Caloteirinha seguia os exemplos de Merença. Cantava um pouco também, arriscava um inglês portenho. Cuidava da casa, das roupas do Caço, e das cuecas de MC Ardeu. Até o dia que Aluizo proibiu a entrada de peças intimas e não intimas de MC Ardeu. Com sua voz rouca de Pato Donald disse que não queria mais que Tia Caloteirinha lavasse as roupas do MC Ardeu, em sua casa. Embora tivesse estratégias para reduzir o consumo de água e energia elétrica, Aluizo queria ter e manter a condição de comandante em seu barco. Quem não aprovasse suas regras que desembarcasse. E as roupas de MC Ardeu foram dar em outros lugares, e nadar em outras águas.

Certa vez Aluizo desembarcara o Tio Carrofortinho, que saiu do barco, levando uma tripulação. E um dia muito tempo depois, ele pediu permissão para reembarcar. O tio Mauricinho, a tia Professorinha e a tia Caloteirinha chegaram a interceder a favor do Tio Carrofortinho. Em outro dia depois, o Tio Mauricinho desembarcou por vontade própria, deixando um grumete e uma ordenança.

E em um dia distante Aluizo também desembarcou a Tia Professorinha, que chegou com um clandestino sem documentos ou passaporte, e o embarque não foi autorizado. Muito tempo e muita negociação foram necessários para o reembarque de Tia Professorinha. As condições e as profissões de Tia Professorinha favoreceram entrar no barco novamente, trazendo conhecimentos de salva-vidas.

AVISO/NOTICE/AVISO
* Esta é uma história de ficção. Qualquer semelhança com casos ou pessoas terá sido mera coincidência
 * This is a fictional story. Any resemblance to actual cases or persons is entirely coincidental
 * Esta es una historia de ficción. Cualquier parecido con casos reales o personas es mera coincidência.


RN 10/01/15

A Discoteca da vizinha
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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Tia Chester *



Tia Chester*

Tia Chester ....... A senhora soube da fofoca que rolou por aqui? Dizem que o Tio Fortinho transportou produtos de outros em seu carrinho, que não era o carro fortinho. Contam que entrou, em casa alheia, junto com o Tio Ladrão. Os dois entraram na casa da Tia professorinha. Os vizinhos falaram que um carro particular entrou e saiu pela garagem, enquanto o Tio Marido da Tia Professorinha estava hospitalizado. Entraram com a desculpa que estavam “ajudando” na mudança.

Sabemos que a senhora vai defender a ação da invasão. A senhora já deixou claro que quem morou em uma casa e não pagou, deve ter seus bens subtraídos. Mas foi uma grande sacanagem entrar na casa alheia, em condições suspeitas, escondido pela garagem, e com a chave do morador, a chave do Tio Marido. Sabe lá o que fizeram na ausência dos moradores. Vocês até parecem uma família de ratos..... Rsrsrs. .. rsrsrs....  Adoram subtrair coisas escondidos kkrsrs.. Dá ate para criar um historia com dois ratinhos principais. Merença e Aluizo. Até já imagino uma história da Merença gritando pelo Aluizo.
─ Aluizo, troca o fuzil que tá quemado.
─ Aluizo troca a lampa que quemô.
─ Aluizo vai compra papel alumino na Lurdi.

Vou pensar em escrever uma história. Falar dos tapaué que a Merença tem.




E o Tio ladrão? Vez por outra nos lembramos de seu irmão. O Tio Marido fala: Basta andar pela casa, por uma casa, qualquer casa. Obsevar o que tem e dar falta de alguma coisa que tínhamos. Lembrar-se de algo que ratos levaram ou se apropriaram. Tinham muitos ratos naquelas casas, corriam pelos esgotos e entravam sorrateiros na casa quando não tinha ninguém.

Só tem algo que não entendemos. Como pode um bando de analfabetos, se interessarem por livros. Achamos que os livros que sumiram, foi por pura e simples sacanagem. Sumiram ferramentas também, mas com certeza foi o Tio Ladrão. Falar em Tio Ladrão, veio a lembrança da Tia Peteka, que chamava ele de Tio-padrinho. 

Quando a Tia Professorinha se mudou, o Tio Ladrão fez um arrastão na casa. Como pode ser dito no direito: Fez uma apropriação indevida de bens que não lhe pertenciam. Até acreditamos que como considerava aquela casa o seu covil, interpretou como sendo sua propriedade tudo que se encontrava lá dentro. E deve se sentir orgulhoso por deixar uma parte da mudança sair. 

A ratinha casada com o Tio Ladrão, também nunca nos enganou. Gostava de fazer caridade com a esmola alheia. Arrecadava doações para chegar à igreja e dizer que era a sua colaboração para os pobres que a igreja ajudava. Com certeza se apropriou de bens para dar presentes e fazer agrados na vizinhança. Mas um dia a casa cai e o castelo que construíram com os bens alheios vão cair sobre suas cabeças. Em uma casa de praia a tal ratinha, levava para casa da baixada até pano de chão que o Tio Marido levava como contribuição à casa de praia.

Sabemos que o Tio Ladrão anda muito adoentado. Não pode fazer muito esforço, cansa rápido.. Vai ver esta cansado de carregar coisas que não lhe pertenciam  .... rsrs. Coitado agora pode até pegar coisas dos outros, mas não pode carregar... Chega ser cômico. 

E a senhora heim? A senhora não me engana, deve ter participado na divisão dos bens alheios. Sei que a senhora gostava daqueles sinos da felicidade que faziam sons ao embalançar com o vento. E como mora longe fica difícil uma interceptação. Como a senhora é cobra criada soube levar com discrição.

* Esta é uma história de ficção. Qualquer semelhança com casos ou pessoas terá sido mera coincidência.

Rio de Janeiro/RJ ─  17/10/2014







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Roberto Cardoso





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